Para quem passa pela praça, e não conhece, e nunca ouviu falar (será que não cresceu na Asa Norte, ou não teve nem tem adolescência?), é apenas uma praça. Ela tem bancos e mesas de concreto, uma escultura abstrata que não chama muita atenção (mas há quem diga que é bem divertida de escalar), uma sorveteria, um restaurante e uma lan-house. Fora isso, e o cadáver de um coqueiro*, a praça não parecer ter mais nada se valha mencionar... Mas ela tem...
Não é nos bancos, ou nas mesas, ou na escultura, ou no chão de pedras pequenas e quadradas, que reside o glamour da Pracinha da Palato. É nas pessoas que passam e passaram por lá, e nas histórias que lá se desenrolaram. Quantos amores começaram e acabaram por lá, quantos porres felizes ou tristes foram celebrados, quantas brincadeiras sagazes ou estúpidas... quanta pose foi feita ou desfeita, e quanta vida se viveu por alí...
Nos idos anos 90, a praça tinha outro nome. Chamava-se "Pracinha do Rock and Roll", assim nomeada por ser próxima ao famoso bar (hoje extinto) que, entre os outros nomes que teve em sua existência, chamou-se também Rock and Roll. Naqueles tempos a pracinha era freqüentada pelos fregueses do bar (e alguns habitués mais descolados do Schlobb) para tomar suas últimas cervejas (compradas no Pão de Açúcar vizinho) depois do encerramento dos serviços do Rock and Roll (o bar, lembre-se sempre). Isso geralmente acontecia pouco antes do amanhecer. Destes tempos a praça guarda algumas de suas histórias mais bizarras, e é lembrada como um dos lugares mais sem noção em que se podia estar na asa norte. Bons tempos... saudosa maloca querica... :)
Com o fechamento do Rock and Roll, e a reciclagem dos freqüentadores, a Pracinha hoje é quase um lar para diversos "bandos" de várias idades, cores de cabelo, preferências musicais, opiniões sobre o governo e, acreditem, preferências de sabor de sorvete. A convivência nem sempre pacífica destes grupos em sua xangrilázinha asanortina também trouxe algumas histórias à praça. Mais histórias ainda advieram de alguns lendários degustadores de bebidas que fizeram da praça seu "último ponto" antes de tomar o rumo bêbado de casa. Das libações destes inomeáveis senhores e senhoras, muitas outras histórias até hoje lembradas ecoam por aí.
Mas a praça tem mais do que histórias. Ela tem gente. É um bom lugar para se ver o pôr do sol, ou para se sentar e beber uma cerveja e bater um papo, e talvez conhecer gente nova (dependendo dos seus gostos, claro). É um bom lugar para se descobrir quais são as bandas de nu-metal que estão na moda, e quais as cores de cabelo são consideradas mais cool... mas é também um lugar agradável para se degustar um bom vinho e escrever poesia, imerso nos fantasmas e histórias, depois que a nova geração da praça vai embora, geralmente sob ordens paternas.
Eu poderia falar indefinidamente sobre a praça, e mesmo assim não contaria todas as histórias. Sou suspeito. Eu estava lá, e vivi tanta coisa alí, que qualquer sombra de comedimento e objetividade em minha dica para o guia estava afastada desde o princípío.
E vocês, se conhecem a praça, o que mais tem a dizer sobre ela?
* o coqueiro morto é parte da história da praça. hoje não mais do que uma lembrança, mas ainda assim um ícone de como éramos deliciosamente idiotas e adoráveis...