"Viu como funcionou!?", eu dizia para mim mesmo enquanto olhava para aquela mesa cheia de gente animada falando de tanta coisa bacana, inclusive do Overmundo. Mesmo com a organização dotada de uma dinâmica toda particular, e talvez justamente por causa dessa dinâmica surpreendente que começa a se mostrar nas atividades da tribo que se reúne à volta do Overmundo, o encontro aconteceu e provou que quando pessoas que tem o que dizer querem se encontrar para conversar, elas fazem acontecer, e se organizam quase naturalmente para tal. O segundo Encontro do Rio de Janeiro de Overmanos e Overminas (que tinha, mais uma vez, mais forasteiros que cariocas) foi um experimento de organização emergente aliada à boa vontade dos santos e deuses que protegem a arte, e muito mais.
Quando eu e Ana Cullen, acompanhados de nosso amigo Rafael Patchanka, descemos do ônibus, tínhamos apenas uma vaga idéia de onde ficava o bar Mofo. Fazendo uma pergunta aqui, outra pergunta alí, admirando-nos com a beleza do Largo do Machado e com a energia da cidade, errando o caminho uma ou duas vezes e quase sendo atropelados por um taxi, acabamos chegando ao bar. O Thiago já nos esperava sorridente na porta. Antes de terminarmos as apresentações e pedirmos o primeiro chopp no simpático O Mofo, já avistávamos a ciclística overmana Helena entrando pela porta do intimista estabelecimento. Felizes em ter conseguido encontrar ao menos com os dois adoráveis overmanos cariocas, começamos a trocar figurinhas sobre matérias que planejávamos fazer para o Overblog, ou sobre histórias do Rio e de Brasília, e todas aquelas coisas que velhos amigos overmundanos que se conhecem há 20 minutos costumam conversar. Foi então que os outros alquimistas começaram a chegar... Primeiro o/um pixel ("com p minúsculo para não fazer propaganda enganosa"), depois o Marcelo Terça-Nada! (que não é uma xícara, afinal) e sua simpaticíssima companheira Brígida Campbell.
A mesa cresceu e as conversas multiplicaram, assim como a animação do encontro. As pessoas contavam o que andavam fazendo, e traçavam expectativas sobre coisas que estavam começando a fazer, e aventavam colaborações e brodagens. Assim como no encontro passado, a conversa saía por seus próprios rumos, e voltava quando queria -- no momento certo -- para o Overmundo, apenas para depois seguir novamente os rumos que bem entendia. As cervejas e as bonitas picanhas d'O Mofo deixavam o encontro mais gostoso, enquanto os queridos companheiros que se conheciam agora há algo entre uma hora ou duas confabulavam e tinham mais e mais idéias, e as trançavam na trama bonita de um encontro de gente com vontade de fazer coisas bacanas.
Falamos sobre Tags do overmundo, e sobre a importância do taggeamento (papo que bem merece um post no forum!), e falamos sobre edição de vídeos em software livre, e sobre a delícia de se filmar com câmeras fotográficas digitais -- mesmo as mais simples. Falamos dos Pontos de Cultura das comunidades de favela do Rio, que seriam visitadas por caravanas da galera que está participando da V Bienal de Cultura da UNE, e de iniciativas culturais e artísticas que surgiam de poucos recursos e muita vontade de fazer. Falamos sobre as primeiras conversas do Conselho Overmundo, e sobre as perspectivas das centenas que ainda virão. Falamos de grandes posts do Overmundo, ou daqueles que nos são queridos por algum motivo; e falamos da preocupação com que o Overmundo não se torne indevidamente auto-referente, olhando sempre mais para fora, para a Cultura Brasileira da qual se teceram suas redes, do que para si mesmo. Foram boas as conversas, e falamos de muitas coisas mais. Só quem vai a um encontro de overmanos e overminas pode imaginar o quanto se pode falar de coisas legais em tão pouco tempo quando se está lá naquela mesa com aquele pessoal. Assim foi em Brasília, e assim foi aqui na semana passada, e assim foi ontem naquelas mesas e lugares. Assim são os encontros do overmundo, alegres e cheios de uma energia realmente impressionante de idéias e carinho.
Quando começávamos a levantar o acampamento, e o encontro parecia estar chegando ao fim, aparece sorridente o Hermano Vianna. Dizia que não havia conseguido nos contactar por telefone (por algum capricho magoado de Graham Bell, imagino eu), mas que havia vindo mesmo assim para ver se nos encontrava. O encontro ganhou então novo fôlego, e resolvemos zarpar em dois taxis para a Fundição Progresso, na Lapa, onde estava rolando a Bienal da UNE. Depois de um passeio bonito pelo Catete e pela Lapa, chegamos ao local do evento. Havia espalhada por todo lado gente colorida e sorridente, com uma energia bem semelhante ao do nosso apequenado grupo, correndo para um lado e para o outro, eletrizada, cheia de uma vontade de ver e fazer que nos contagiava. Foi gostoso sentir a sinergia de nossa pequena "reunião itinerante" com a Bienal, e alí se traçaram mais algumas idéias de trabalho. O pixel (cujo nome nunca pode aparecer no início de uma frase, pois, segundo o mesmo, TEM que ser escrito com letras minúsculas) convidou o Thiago e o Hermano para falar sobre o Overmundo no debate sobre Inclusão Digital e Tecnologia na Educação da qual está participando no SENID2007.
Depois de rodarmos um pouco pela Fundição Progresso, sacar o ambiente e ver a beleza do evento, era hora de procurar mais uma mesa e um garçom amigo para nos aconchegarem para uma segunda rodada de bate-papo do encontro, agora integrando o Hermano e o Mark Daives (do GIA - Grupo de Interferência Ambiental, lá da Bahia), que se juntou a nós em nossas andanças pela Bienal. Após meia hora de caminhada pela Lapa em busca de um boteco aberto, na qual o Thiago mostrou como sua simpatia é magnética para os ébrios do bairro e o Hermano nos mostrou sua habilidade para encontrar o melhor e mais aconchegante bar de um lugar (mesmo que seja o único bar aberto da Lapa), aboletamo-nos na Pizzaria Guanabara. As conversas continuaram animadas, enquanto o pixel nos contava de mais algumas idéias que vinha nutrindo em sua cachola azul e o Thiago mostrava sua paixão pela cidade ao fazer uma lista dos trinta e tantos lugares que a Ana "não pode perder a chance de visitar" em sua estadia de 4 dias no Rio. Hermano também nos surpreendeu com histórias acumuladas em seus périplos pelos morros e favelas do Rio, motivados ora por suas pesquisas para seus escritos (muitos deles já publicados por aqui), ora pelo seu tesão de conhecer todos os lugares e todas as pessoas, ora pelos dois. Poisé. Encontro de overmanos e overminas é todas essas muitas coisas que eu contei acima e é, entre todas elas, cultura e diversão.
Este é um relato do encontro como eu o vi, como eu o vivi. Abaixo, nos comentários, ou mesmo em outros posts, os outros participantes vão contar suas versões e suas experiências, desmentir exageros, acentuar cores esmaecidas pelo meu cansaço ao escrever o texto e, sobretudo, partilhar imagens para o caleidoscópio experiencial que é um encontro deste tipo.
Vale a pena encontrar para ver e viver e fazer...