O Conic tem de tudo. Tem puteiro do lado da Igreja Universal do Reino de Deus. Tem cinema pornô do lado de loja de artigos de umbanda, que por sua vez fica perto do mais de um agiota e de uma boa loja de artigos para skate. Tem restaurante vendendo prato para todos os bolsos furados e para todos os estômagos junkies ou naturebas. Tem o Teatro Dulcina de Moraes (que é uma excelente faculdade de teatro e um dos teatros mais legais da cidade) e boas livrarias, como a livraria jurídica da qual eu não lembro o nome e a Kingdom Comics (excelente, especializada em HQs e camisetas de hq, filmes e bandas). Tem cabeleireiro especializado em cortes e adereços afro do lado de loja especializada em guaraná. Tem óticas, farmácias, fliperamas, lojas de discos (cds e lps, especializadas ou não), loja de roupas, material para artesanato, lojas de artigos musicais, sedes de partidos políticos, tatuadores e piercers, e dezenas de outras coisas visíveis ou escondidas, como seus subterrâneos onde a Jennie Choi adora dar festas. Como eu disse, o Conic tem de tudo.
Tem também gente de todo tipo. Tem policial e traficante, tem prostituta zanzando e evangélico pregando. Tem skatista e metaleiro, moderninhos e setentistas, gente preocupada e despreocupada e, sobretudo, tem gente como você. Acima de tudo, o Conic é um lugar onde estes rótulos perdem o sentido, e a primeira coisa que você nota ao chegar é que o Conic é um lugar de Gente. E gente é gente, só se distingue quando quer se distinguir. Lá, tudo se mistura.
O Conic das festas e das tardes do pessoalzinho das escolas, que mata aula pra rodar pelas lojas ou só andar por alí. O Conic dos trabalhadores que passam por ali para comer, para comprar alguma coisa, ou para trabalhar. O Conic das boites de strip tease e dos cultos evangélicos, das encruzilhadas subterrâneas e dos consultórios médicos. Tudo cabe no Conic e todo mundo está lá.
Para entender o que é o Conic, não basta visitar. Tem que frequentar. Tem que sentir o cheiro da vida no lugar. Basta procurar, certamente existe no Conic algum lugar onde você vai se encontrar. O Conic é um lugar que tem tudo, inclusive muita gente. E é lá que muito da gente legal de Brasília se encontra.
Não existem palavras demais quando se fala no Conic. Nem palavras certas ou erradas. No Conic tem tudo, e tudo pode se dizer do lugar. Mas sobretudo, o Conic é um lugar feito para gente se encontrar e fazer coisas. É lugar de apropriação. É território livre e mercado comum das raças e tribos da Capital.
Existem até teses acadêmicas sobre o lugar.
Se for a Brasília, não deixe de visitar o Conic.
Esta dica do guia é uma olhar pessoal sobre o Conic, e uma extensão da dica já postada aqui pelo overmano-de-fé Daniel Cariello.
Nota:
Foi extremamente difícil achar imagens para esta matéria pois, por incrível que pareça, não há fotos licenciadas em Creative Commons de um lugar tão livre (e criativo, e comunal) como o Conic. Estivesse eu em Brasília, bateria as fotos eu mesmo, com meu fiel celularzinho. Uma vez que não estou, resta-me lançar a matéria assim, sem imagens, por falta de informação sobre licenciamento ou, talvez, generosidade, dos fotógrafos da capital.