Depois da recepção carinhosa e encantadora que premiou a primeira parte desta velha fábula publicada aqui no Overmundo, me senti não apenas animado -- mas conclamado -- a continuar a sua publicação. Agradeço de coração a todos que leram a fábula, a todos que ainda vão ler. E tendo em vista que o contador de histórias deve procurar desaparecer da frente da história que conta, para não lhe eclipsar o brilho de forma alguma, é melhor então que eu me cale e continue a contar a história de Amarath e o Dragão...
A segunda parte começa assim...
"Não é fácil montar um dragão. As escamas da criatura cortam a pele das mãos do cavaleiro. O movimento do pescoço a cada batida de asas e o vento que ameaçam derrubá-lo a cada momento, ao mesmo tempo que fazem o coração bater mais forte de excitação. O medo da altura e o medo da fera preenchem a alma, misturando-se com a sensação de poder. Amarath sente a sua excitação se dissolver lentamente em pavor, mas ele não pode parar. Ele é um Cavaleiro, um montador de dragões, um membro da mais alta casta, digno agora do mais alto respeito, e está muito alto nos ares também para desistir. O dragão, sorriso de mil dentes abertos ao vento em um prazer draconiano de cortar os ares, parece divertir-se. O vento seca as lágrimas de Amarath."