A moça acenando à janela - conto

3/2/2007
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"Não conseguia parar de chorar, mesmo quando seu taxi parou em frente ao aeroporto. Suas costas ainda tinham os arranhões apaixonados deixados pelo último sexo antes da horrível briga. Seu coração ainda dilacerado pelo adeus torto, farpado, que disseram. Tinha os cabelos caídos sobre o rosto, para não olhar nos olhos de ninguém. Estava despencando do céu carioca onde vivera nos últimos tempos. Estavam, pensava. Ou talvez não houvesse mais um plural. Eram aves perdidas agora. Seu vôo fora interrompido. Foram do céu ao chão seco, como um avião em queda desastrosa, em um amanhecer trágico. E agora, para seu desespero, se via indo embora da cidade que fora palco da sua paixão por Ela. As mãos trêmulas se confundiam com as alças das bolsas enquanto ela estendia as três notas para o motorista. Sentia-se perdida num trânsito confuso entre o paraíso o vazio. E, em meio a tudo isso, agora ela teria que pegar o avião, e ir embora. Respirou fundo, quase engasgou-se com a tristeza e saiu do taxi..."
(para ler o conto na íntegra, baixe o arquivo em PDF clicando no botão azul de DOWNLOAD)


A moça acenando à janela é um conto bem antigo, escrito de um só fôlego, em uma noite de janeiro de 2003. Foi incluído e cortado de meu livro de contos (aquele que por vezes parece que nunca verá a luz do dia) mais de 5 vezes. Agora publico-o aqui, com pouquíssimas modificações em relação ao conto escrito na época -- modificações cosméticas, em sua maioria -- como uma decisão final de que não fará parte do livro.

É um testemunho de um olhar e de um momento, e é fácil para mim achá-lo pueril e mal escrito. Mas sei bem que sou por vezes crítico demais daquilo que escrevo e, assim sendo, acabo por engavetar coisas que poderiam ser boas. É por isso que estou agora "engavetando publicamente" este conto. Espero que tenham ao menos alguma afeição por ele. Foi importante para mim quando o escreví... ao que parece ter sido um milênio atrás.

A foto que ilustra este post foi graciosamente cedida por minha amiga Júlia, e embora tenha sido batida antes mesmo que ela tenha conhecido o conto, parece ter sido feita especialmente para ele.


A vida é bela, embora por vezes tenha uma beleza triste. Temos que ter os olhos abertos para todas as belezas (mesmo as menores, mais tolas, mais estranhas ou tristes), para assim não perder de vista a maravilhosa tapeçaria de momentos que é a experiência do viver.